Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.

Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.
Tire o pé do acelerador e redimensione sua vida.
O Profeta diz a todos: "eu vos trago a verdade", enquanto o poeta, mais humildemente, se limita a dizer a cada um: "eu te trago a minha verdade."

Mario Quintana

Editorial

Embora o Brasil não esteja em uma boa fase de sua história e não esteja sendo bem administrado, retroceder ao passado, principalmente àquele passado mais remoto e sem resultados satisfatórios para a coletividade, não é a solução.

Uma geração acreditou que, quando a oposição chegasse ao poder, finalmente, sentir-se-ia representada. Votou em um candidato à presidente que caiu e se levantou, algumas vezes, mas agora já não sabe mais em quem confiar, porque não há mais representações legítimas, para os trabalhadores e os estudantes. Existem apenas partidos para representar seus próprios interesses ou defender os privilégios de seus aliados diretos.

Dar vazão às mentes e às vozes que querem questionar e repensar o Brasil de uma maneira distinta, objetiva e imparcial. É para isto que estamos aqui.

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terça-feira, 28 de agosto de 2012

A corda e a caçamba


                             Convido-o a assistir ao vídeo acima, uma propaganda institucional do Governo do Estado do Ceará, versando sobre as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) instaladas e mantidas pelo governo estadual em Fortaleza. Veja e tire suas conclusões.

                             Na campanha eleitoral de Fortaleza, o candidato à prefeito apoiado pelo governador parece ser um homem sincero, determinado e engajado nas causas que ele defende. Não vou citar-lhe o nome por descrição, para não parecer que estou fazendo propaganda em seu favor. Se eu pretendo votar nele, não sei, apesar de ele também ser médico. O problema é que ele me parece um tanto empolgado demais. E empolgação demais arruína tudo.

                             Não digo isso por pessimismo, tampouco por despeito. O problema é que a campanha desse candidato exalta as UPAs como uma espécie de coringa que deve suprir a assistência médica na cidade, embora, às vezes, admita que devem ser construídos novos postos de saúde, reformados os já existentes e alocada mão-de-obra qualificada em todos eles, mas sempre sem perder o foco nas UPAs. O candidato acha que o município deve seguir o exemplo do governo estadual e investir também na criação de UPAs.

                            Demos à César o que é de César. Basta que cada um cumpra seu dever, sem pretender abraçar o mundo com as pernas. Deixemos as UPAs, que constituem um nível de atenção em saúde um pouco mais elevado, por conta do Estado, e as UBASFs (Unidades Básicas de Saúde da Família), os postos de saúde, que são a atenção primária, por conta da prefeitura. Melhor dizendo, se a prefeitura quiser investir nas UPAs, pode fazê-lo, desde que priorize a atenção básica, porque, se não fizer isto, quem o fará, então???


                            Reconheço que as UPAs são necessárias e importantes, especialmente em casos de complexidade intermediária, que não podem ser resolvidos em postos de saúde nem requerem internação hospitalar, mas temo que os usuários daquelas unidades e o poder público se acomodem, porque elas estão quebrando o galho, por enquanto. Se isto acontece, os postos de saúde ficam sucateados, enquanto as UPAs ficam sobrecarregadas de pacientes carentes que não encontram o que procuram num CSF (Centro de Saúde da Família), que não têm aonde ir e que depositam suas esperanças e suas fichas nas UPAs. Se elas não recorrem às UPAs, recorrem ao primeiro serviço de saúde que encontram pela frente com as portas escancaradas, mesmo que seja um consultório psiquiátrico, por exemplo. Não as culpo. Por sinal, acho que já falei sobre isso aqui uma vez.

                            Enfim, concordo que deve haver uma interação maior entre os três níveis de poder, mas, esperar que cada um deles seja uma mera reprodução do outro imediatamente superior, uma interação enviesada, uma espécie de política da corda e da caçamba, movida por interesses puramente partidários, como acontecia nos tempos da República Velha, não mesmo, por favor.

                           


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